Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Casa Branca
O presidente Donald Trump decidiu classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A classificação foi divulgada nesta quinta-feira (28). Ambos foram classificados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como "Terroristas Globais Especialmente Designados".
O assunto voltou à tona após o encontro de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, na última terça-feira (26). Segundo Flávio, o objetivo da conversa foi justamente falar da classificação sobre terrorismo e facções. Ainda, o senador disse que, se eleito, fará acordos com qualquer país que queira combater o crime organizado.
Três semanas antes, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve em Washington. Segundo interlocutores do governo, Lula tentou evitar o movimento americano.
O comunicado divulgado também afirma que os EUA pretendem designar os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
"O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros", destaca o texto.
"Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país", pontuou.
Apesar de estudiosos classificarem facções como PCC e CV como unicamente criminosas, uma vez que agem por interesses econômicos, sem motivação ideológica, Trump já havia contestado a distinção quando classificou os cartéis mexicanos como Organizações Terroristas no ano passado.
Agora que o republicano adotou a mesma medida para o Brasil, os EUA poderão lançar mão de instrumentos jurídicos, financeiros, diplomáticos e militares na tentativa de ampliar sua influência sobre Brasília e, de alguma forma, sobre as eleições. É o que afirmam especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
Os analistas consideram improvável uma intervenção militar nos moldes da que foi feita na Venezuela em janeiro para depor Nicolás Maduro. Ainda assim, afirmam que haveria formas menos explícitas de pressionar as facções e, por consequência, o governo brasileiro.
Porém, quando um grupo passa a ser classificado como terrorista, as autoridades americanas passam a ganhar margem para uma atuação mais ampla, uma vez que o assunto passa a ser tratado como ameaça à segurança nacional.
Os instrumentos se assemelham à Lei Magnitsky, que impõe sanções financeiras a acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Em 2025, o presidente americano a usou contra o ministro STF, Alexandre de Moraes, com o intuito de dificultar sua relação com o sistema financeiro americano.
Fonte: CBN