Fatboy Slim (Reprodução @rockinrio)
Acabou… O primeiro fim de semana do Rock in Rio! E o responsável por dar o último play na Cidade do Rock foi o DJ e produtor britânico Fatboy Slim, numa noite cheia de lendas da música nacional e internacional.
Pense comigo: João Bosco levou, aos 80 anos, a MPB ao palco Global Village; Roupa Nova convidou Guilherme Arantes para um espetáculo de romantismo e harmonia no palco Sunset; Gilberto Gil, aos 84, mostrou sua realeza no palco Mundo; e Elton John, que voltou de uma aposentadoria oficial das turnês para essa apresentação pontual, encerrou o palco Mundo num show histórico. Ou seja, só faltava a lenda da cena eletrônica, que ajudou a desenvolver o papel central da figura do DJ na cena: Fatboy Slim no New Dance Order.
E como o New Dance Order é como um after para quem está no festival, deu tempo de todo mundo dar uma passada na pista de dança antes de ir pra casa. O público que o assistia era formado por pessoas de todas as idades, de crianças a idosos.
Apesar de já ter passado pelo Brasil dezenas de vezes ao longo da carreira, essa foi a primeira vez que Fatboy Slim tocou no Rock in Rio. Uma estreia tardia, sim, mas que fez todo sentido como fechamento do primeiro bloco de shows do festival: ninguém ali parecia disposto a ir para casa antes da última batida.
Antes de subir ao palco, o britânico já vinha tratando o Brasil com um carinho fora do comum. Em entrevista à Billboard Brasil, de casa, em Brighton, ele resumiu a conexão com o país de um jeito bem-humorado: “Honestamente, não sei o que explica essa conexão. Acho que minha mãe dormiu com um brasileiro e nunca contou pra ninguém”, brincou. Foi além na comparação: “Quando cheguei ao Brasil, foi como conhecer o resto da sua família que você não sabia que existia.”
Sobre dividir o line-up do dia 7 com Elton John e Gilberto Gil, não escondeu o orgulho: “É maravilhoso, porque conheço os dois artistas e tenho um grande respeito por ambos. Então, estar no mesmo line-up é uma honra.” E completou, sobre o peso de representar a cena eletrônica britânica ao lado de duas lendas de gerações e países diferentes: “Sinto que estou representando a música eletrônica da Inglaterra. É uma posição de grande honra, mas com ela vem grande responsabilidade”, disse Fatboy Slim.
A relação do DJ com o Brasil também passa pelo estúdio: neste ano, ele assinou “Funk Drunk (feat. 7KY)” ao lado da brasileira Carola e do produtor Felix Da Housecat, parceria nascida depois que a DJ paulista enviou um remix de uma faixa dele há alguns anos.
O show entregou o que se espera de um set do Fatboy Slim: uma sequência sem pausas de “big beat”, breaks e samples que atravessam décadas, costurando clássicos do próprio catálogo, como “The Rockafeller Skank”, “Right Here, Right Now” e “Praise You”, a hits mais recentes do repertório eletrônico. É esse mix, entre nostalgia e pista, que sustenta o nome dele como um dos poucos DJs da geração 1990/2000 que ainda enche palco de festival grande em pleno 2026.
Falar de Fatboy Slim sem citar o Big Beach Boutique II é quase impossível. Em julho de 2002, o show gratuito que ele deu na praia de Brighton, sua cidade natal, reuniu mais de 250 mil pessoas, um público quatro vezes maior do que o esperado e que entrou para a história como uma das maiores aglomerações já registradas em um evento musical no Reino Unido. O episódio, inclusive, virou documentário “Right Here, Right Now”, lançado em 2023. Não é exagero dizer que aquele dia ajudou a moldar o que se entende hoje por “DJ como headliner de festival”, papel que o New Dance Order, décadas depois, tenta reproduzir todas as noites na Cidade do Rock.
Encerrar o primeiro fim de semana com essa lenda no comando foi, de certa forma, um fechamento simbólico: se o Rock in Rio 2026 já tinha celebrado a MPB com João Bosco e Gilberto Gil, o romantismo com Roupa Nova e Guilherme Arantes, e a grandiosidade do rock e do pop com Elton John, faltava mesmo reverenciar a pista. Fatboy Slim fez isso da forma como sempre soube fazer: sem pressa, sem fórmula, só groove.
Fonte: Billboard Brasil