Palmeiras e Flamengo estão entre os maiores times patrocinados por bets – Cesar Greco/Divulgação

Futebol: Clubes cogitam paralisar Brasileirão e boicotam reunião com governo federal

Por proibição as bets, dirigentes exigem prazo de transição de até um ano e conseguem atrair a CBF para o embate no STF

A decisão do governo federal de proibir as operações das chamadas bets no país provocou uma reação em cadeia no futebol nacional que pode travar o calendário esportivo. Segundo informações do colunista Marcel Rizzo, do Estadão, dirigentes de diversos clubes brasileiros intensificaram as articulações contra a medida e colocaram na mesa uma possibilidade extrema: a paralisação do Campeonato Brasileiro.

O primeiro reflexo do descontentamento ocorreu nesta terça-feira, 29. Uma reunião agendada entre os presidentes dos clubes e integrantes do governo federal foi cancelada após os cartolas organizarem um boicote conjunto e avisarem que não compareceriam.

O movimento teve adesão até mesmo de diretorias mais alinhadas ao Planalto, como a do Corinthians, que atualmente negocia com a Caixa Econômica Federal a quitação de seu estádio e encabeça tratativas por crédito facilitado para o setor.

A ameaça de não entrar em campo no Brasileirão tem dois alvos definidos: o próprio governo e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Em relação ao governo, a pressão visa a garantir um prazo de transição. Os clubes querem um período de seis meses a um ano para encerrar a publicidade das empresas de apostas de forma gradual. Para os dirigentes, a contrapartida oferecida pelo Planalto até o momento — a criação de uma linha de crédito a juros baixos para o pagamento de dívidas — é considerada insuficiente e já vinha sendo discutida antes mesmo do anúncio da proibição.

O impacto financeiro imediato é a grande dor de cabeça nos bastidores. Atualmente, as bets são as principais patrocinadoras do esporte no Brasil. Dirigentes argumentam que o rompimento abrupto dos vínculos afeta valores essenciais a receber ainda em 2026 para fechar as contas do ano, além de abrir um grave rombo no planejamento orçamentário da temporada de 2027.

O segundo objetivo da ameaça de paralisação era forçar uma reação da CBF, que se mantinha inerte diante do imbróglio. Com o calendário do futebol já apertado até dezembro, a perspectiva de uma greve fez a entidade agir.

Ainda nesta terça, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para atuar como parte interessada no processo em que as empresas de apostas tentam derrubar a Medida Provisória (MP) do governo. Como o Sinafut tem forte influência e ligação com a CBF, a manobra jurídica foi interpretada nos bastidores como a entrada oficial da confederação na queda de braço em defesa dos clubes.

Fonte: Placar

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