Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional de Teerã - Foto: LEBANESE PARLIAMENT / AFP
Após os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, o poderoso chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, negou qualquer negociação com o governo americano. “Não negociaremos com os EUA”, declarou Larijani nesta segunda-feira (2), em publicação nas redes sociais. Ele desmentiu as notícias veiculadas pela imprensa de que representantes iranianos teriam tentado iniciar conversas com Washington.
Larijani também acusou o presidente americano Donald Trump de ter “mergulhado a região no caos com seus ‘sonhos ilusórios'”. Ele acrescentou que Trump agora está preocupado com as perdas entre as forças americanas.
Na manhã de sábado (28), os EUA e Israel lançaram ataques aéreos massivos contra o Irã. Entre os mortos estava o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, o Irã vem atacando instalações militares israelenses e americanas na região do Golfo desde sábado. De acordo com as Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr), esses ataques também atingiram bases da Bundeswehr no Iraque e na Jordânia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo (1º), em vídeo divulgado pela Casa Branca, que os ataques que os EUA e Israel promovem contra o Irã seguem “à plena força” e que “vão continuar até que todos os nossos objetivos sejam atingidos”. “E nós temos objetivos muito fortes”, declarou.
Os ataques iniciados no sábado continuaram na noite de domingo, em Teerã, capital do Irã. O país persa retaliou com disparos contra instalações militares dos EUA em países árabes do Golfo, e explosões foram ouvidas em Jerusalém.
Trump lamentou as mortes de três militares norte-americanos durante os ataques e afirmou que provavelmente outras mortes vão ocorrer.
“Nós mandamos nosso imenso amor e gratidão para as famílias dos que caíram e, infelizmente, provavelmente, haverá mais mortes”, disse ele. “A América vai vingar seus mortos e dar o golpe mais duro nos terroristas que fazem guerra, basicamente, contra a civilização”, acrescentou.
O presidente dos EUA listou as ofensivas já realizadas contra “centenas de alvos” no Irã, incluindo instalações da Guarda Revolucionária, defesas aéreas, nove navios, além da morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
“Todo o comando militar do Irã se foi”, afirmou Trump. “Muitos deles querem se render e salvar suas vidas, querem imunidade, estão nos chamando aos milhares”, declarou.
Ele voltou a oferecer imunidade aos integrantes da Guarda Revolucionária e das forças armadas do Irã que depuserem suas armas, e voltou a instar a população a assumir o controle do país.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos declarou que “conversará” com os dirigentes iranianos, sem detalhar quando ou quem seriam seus interlocutores, segundo uma entrevista à revista The Atlantic divulgada no domingo.
“Eles querem conversar, e eu aceitei conversar, então conversarei com eles. Deveriam ter feito isso antes”, disse o republicano, segundo as declarações reproduzidas pelo veículo.
“Alguns daqueles com quem estávamos negociando morreram”, acrescentou Trump, que considerou que os dirigentes iranianos “queriam ser espertos demais”.
Trump também disse que 48 líderes iranianos foram mortos nos bombardeios dos EUA e de Israel contra o país e que a ofensiva é “muito positiva”.
“Ninguém consegue acreditar no sucesso que estamos tendo; 48 líderes se foram de uma só vez. E as coisas estão avançando rapidamente”, disse Trump, segundo citação em uma entrevista à Fox News.
Trump reivindicou sucesso total na guerra, que foi lançada no sábado com o objetivo de remover a liderança da república islâmica e destruir suas forças militares. O Irã confirmou a morte de seu líder supremo, o Aiatolá Ali Khamenei.
As entrevistas foram realizadas antes de as forças militares dos EUA anunciarem, pela primeira vez, baixas na guerra: três membros do serviço não identificados mortos, cinco gravemente feridos e vários outros com ferimentos leves.
*Com informações da AFP